domingo, 11 de janeiro de 2015

Minha Primeira Paixão


Em seu primeiro dia de aula na nova escola, Frida acaba atravessando, sem querer, o caminho do distraído José Olímpio, mais conhecido como Pimpo. Tem início então uma pequena e inofensiva guerra particular. Enquanto Frida é uma excelente aluna e se dá bem em Matemática, Pimpo é um pequeno poeta que se entende melhor com o Português. Enquanto ela tem como bicho de estimação uma cadela, o garoto tem uma tartaruga. Enquanto a menina tem sardas e cachinhos de cabelo ruivo, ele usa óculos com armação preta e ligeiramente grossa.
As trocas de provocações e pequenas vinganças os levam a prestar mais atenção um no outro. E apesar de possuírem incontáveis diferenças, ambos descobrem o mais nobre dos sentimentos, ainda em sua forma mais ingênua e pura. Para falar um pouco mais sobre esse livro preciso contar uma breve história. Como já é do conhecimento de quem acompanha o Blog, eu marquei presença em três dias da Bienal do Livro (postagem sobre a Bienal aqui). Um dos livros que comprei no primeiro dia foi “Minha Primeira Paixão”. Depois de tê-lo procurado em minha cidade e não ter encontrado, o achei em um dos estandes do evento. Claro que não tive dúvida em comprar na mesma hora.
Na semana seguinte a compra, quando fui participar do Bate-Papo com Pedro Bandeira, levei três livros. Um deles havia sido “Minha Primeira Paixão”, mas só consegui autógrafo nos outros dois títulos que estavam comigo. Nesse Bate-Papo, por mera coincidência, descobri um pouco mais sobre a obra. Alguém fez uma pergunta sobre “Amor Impossível, Possível Amor” (resenha aqui). Eu já conhecia a história por trás da produção desse livro. O que descobri de novo foi que “Minha Primeira Paixão” se encaixa no mesmo conceito.
Pedro Bandeira recebeu de familiares o desafio de dar continuidade em histórias e rascunhos deixados por autores que faleceram antes de concluir o trabalho. O autor explicou que achou mais difícil continuar a história deixada por Carlos Queiros Telles porque era um amigo querido. E que apesar de pouco conhecer Elenice Machado de Almeida, admira muito o trabalho da autora que faleceu no ano de 1989. Ao descobrir esse detalhe, que me passou despercebido na sinopse presente na parte de trás do livro, senti mais vontade de devorar essa obra. Mas não podia furar a fila dos livros que estava lendo antes.
Ao contrário do que houve com “Amor Impossível, Possível Amor”, eu pessoalmente não consegui distinguir o ponto de onde o Pedro deu continuidade a “Minha Primeira Paixão”. A história é praticamente homogênea devido ao fato de o autor ter sido capaz de captar a essência deixada por Elenice Machado de Almeida. Achei a leitura bastante prazerosa e extremamente fácil. Se não me engano, levei pouco mais de uma hora e meia para ler tudo.
Confesso que enquanto fazia a leitura, me vi tendo recordações de quando tinha apenas treze, quatorze anos no máximo, e vivia dilemas amorosos semelhantes. Nunca fui de ficar de implicância com as garotas de quem já gostei, mas a sensação do drama colegial e toda inocência da pré-adolescência eram quase iguais. Outro fator que achei bastante interessante foi a maneira como os capítulos são expostos. Por se tratar de dois protagonistas, a história é narrada simultaneamente na primeira pessoa, intercalando o ponto de vista entre Frida e Pimpo. As ilustrações, sob um ponto de vista particular e artístico, não deixam nada a dever a outras obras.
O livro em si é bastante favorável para incentivar pessoas que estão começando a desenvolver o prazer pela leitura. Não é nenhum “Diário de um Banana” com todos aqueles desenhos, pautas de folhas de caderno, etc, mas ainda assim tenho certeza de que conquistará tantos adolescentes quanto. Por fim, mais um livro do meu autor nacional favorito a adentrar a minha coleção com orgulho. Espero que as pessoas que tiverem um exemplar desse em mão possam se divertir tanto quanto eu com os ajustes e desajustes desse jovial casal de apaixonados.

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